Recomeçaram as escavações arqueológicas no Crasto de Salreu

As escavações iniciaram no dia 9 e prolongam-se até 3 de Agosto, envolvendo uma equipa de 35 pessoas, entre arqueólogos, estudantes e outros colaboradores.

Terça, 17 de Julho 2018


Os trabalhos neste importante sítio arqueológico do concelho foram iniciados em 2011 e permitiram já identificar importantes vestígios da ocupação do local há cerca de dois mil e quinhentos anos, em plena Idade do Ferro, cuja ocupação deverá estender-se entre o século IV a.C. e a mudança da Era.

Depois de no ano passado terem sido encontrados mais vestígios da ocupação do local cinco séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, época anterior à vinda dos romanos, tais como restos de cabanas, cerâmicas e utensílios, as expectativas para esta nova campanha são mais elevadas e desenvolvem-se em duas áreas distintas. Uma de carácter doméstico, onde se realizaram as três anteriores intervenções e que permitiram identificar vários vestígios da ocupação do sítio, como os alicerces de uma construção habitacional, do tipo cabana, um piso em argila decorado e uma possível área de combustão ou lareira; e outra, em linha com os trabalhos de 2016 e 2017, onde se verificou a existência de uma estrutura de delimitação, vulgarmente designada como muralha.

Para a Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Estarreja, Isabel Simões Pinto, este "é um trabalho de continuidade que virá, seguramente, consolidar o conhecimento do que, há mais de 2000 anos, os nossos antepassados ali viveram. Trata-se de parte da nossa história local e da nossa identidade cultural que importa perceber e conhecer ao máximo para poder preservar". De salientar também "a relevância do trabalho dos 30 voluntários vindos de vários pontos do país e também do estrangeiro para esta 3.ª campanha das escavações arqueológicas, coordenados por uma equipa especializada do Centro de Arqueologia de Arouca, e alguns deles são já repetentes. Apesar da “dureza do trabalho”, é muito gratificante perceber a forma como se empenham e criam laços de companheirismo e amizade entre eles, ficando uma forte ligação ao nosso território".     

Nesta nova campanha, os arqueólogos do Centro de Arqueologia de Arouca pretendem compreender melhor a forma como se relacionam as diversas estruturas identificadas na zona habitacional e também a construção da estrutura de delimitação.

Durante a primeira semana os trabalhos decorreram sobretudo na área habitacional, tendo sido realizado um pequeno alargamento face à área de intervenção do ano anterior. Sara Almeida, Arqueóloga codiretora e uma das responsáveis pelos trabalhos no terreno, diz-nos que “até ao momento não foi possível identificar a continuidade da estrutura tipo cabana. Em todo o caso, foi recolhido significativo volume de material arqueológico, sobretudo cerâmica, alguma da qual decorada e alguns objetos em pedra e restos metálicos.

Sob orientação de arqueólogos do Centro de Arqueologia de Arouca, os trabalhos contam com o apoio da Câmara Municipal de Estarreja e têm associado um programa de voluntariado que reuniu participantes não só do concelho, como de municípios vizinhos e até do estrangeiro, como é o caso de Espanha, Irlanda e Brasil. 

O voluntariado em escavações arqueológicas é um trabalho especializado, como é próprio de uma atividade científica, mas que qualquer um, com o devido enquadramento e apoio técnico de um especialista pode desempenhar.

Veja
vídeo resumo da última campanha
vídeo alargado da última campanha
imagens da penúltima campanha

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